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2.0 Born, Live and Die…

Desde meus 2 anos até os 13 anos de idade eu sempre morei na rua de trás da casa da minha avó materna. Então eu tinha alguns finais de semana e as minhas férias pra visitar meus avós paternos, e geralmente nas minhas férias eu ficava uns 3 dias na casa deles, nós morávamos na mesma cidade mas longe, então não via eles sempre. Desde pequeno eu sempre dormi na casa de amigos, pessoas que cuidavam de mim quando criança e tals. Sempre fui muito dado, e sempre fiquei bem na casa de conhecidos, nunca fui de ficar chorando querendo minha mãe.

 

Quando eu tinha acho que uns 7 anos começou a febre dos rollers, eu como qualquer criança normal naquele ano queria um roller, meu pai comprou um pra mim e pra minha irmã, o meu era roxo e da minha irmã amarelo florescente. Eu só brinquei com isso durante muito tempo, e na época acho que eu fiquei de férias e fui passar uns dias com meus avós, mas não pude levar meu roller. Como minhas primas não moravam perto eu não tinha com quem brincar, daí durante o dia eu ajudava minha vó com o serviço de casa e de noite ficava sentado na calçada da rua. Então eu descobri umas crianças na mesma rua.

Nesse grupinho de crianças tinha a guria do outro post, eu comecei a brincar com eles durante a noite, brincávamos de esconde-esconde, pega-pega e é claro ROLLER. Mas tinha um problema, só um menino tinha um roller, nós éramos em uns 5, então revezávamos com o roller. Um saia da casa do meu vô e ia até a esquina, daí o outro pegava na esquina e ia até a casa do meu vô. Era uma esquina bem escura, lembro que eu fui até a esquina e a guria ia da esquina até a casa do meu vô. Então cheguei na esquina me sentei no gramado que tinha na calçada e passei o roller pra ela. Daí nós nos levantamos e fomos acompanhando ela até a casa do meu vô. Mas assim que eu me levantei eu senti um cheiro muito estranho, muito ruim, olhei no meu chinelo porque achei que tinha pisado na merda, mas aí coloquei a mão na minha bermuda e percebi que havia sentado na merda.

 

Sim, eu sentei na merda de cachorro, e não era dessas boas, era mole e molhada. O primeiro pensamento que veio na minha cabeça foi que não podia deixar ninguém ver isso, então eu me virei e comecei a correr andando pra trás pra casa do meu vô. Minha vó era um pouco brava então fiquei com medo dela brigar comigo, ainda bem que na hora ela tava na igreja, me tranquei no banheiro, e fui ver o estrago. Terei minha bermuda e minha cueca, ainda bem não tinha passado da cueca, fiquei só com a bermuda molhada, mas claro coloquei tudo de molho, a cueca também. Na hora morri de vergonha de contar pro meu vô, mas acho que ele percebeu pelo cheiro, quando contei ele só ficou rindo e disse que fiz certo em colocar de molho e que depois minha vó lava e ia ficar tudo bem. Então como já estava tudo resolvido fui pra rua brincar mais um pouco com meus novos amigos. São essas coisas que me fazem sentir saudades da minha infância, na época que essas coisas podiam acontecer e você não via com tanta importância, na época onde tudo era festa, até sentar na merda mole de cachorro.

 

Born, Live and Die…

Ontem eu estava pensando em coisas que aconteceram comigo, tava pensando um pouco na minha infância e nas coisas que eu perdi um pouco cedo de mais. Quando eu era bem criança meu avô morreu, o pai da minha mãe, eu nem me lembro quantos anos eu tinha, acho que deveria ser 5 ou 6, lembro que pra me consolar a Nairana  (que desde que eu consigo me lembrar sempre foi minha amiga/irmã) disse que meu vô estaria lá no céu cuidando do passarinho dela que tinha morrido alguns dias antes do meu vô, e realmente isso me fez ficar um pouco mais aliviado, saber que meu vô estaria cuidando do passarinho, me fez pensar que talvez ele também cuidasse de outras pessoas lá no céu, assim como cuidava dos seus netos aqui na terra.

 

Depois disso eu tinha somente um vô, o vô Dito. Eu amava muito meu vô, tenho certeza que ele foi o melhor vô do mundo. Quando eu ia dormir na casa do vô, no sábado nós acordávamos bem cedo pra ir na feira comer pastel (EU AMAVA), no sábado de tarde eu tinha que ir com minha vó no mercado por que ela não sabia ler então ficava difícil ver os preços das coisas, essa era minha função. Ela sempre comprava pra mim chips bem grandões, iogurte e suco, aqueles que viam num carrinho ou arma.

Adorava esses suquinhos.

Lembro que um dia eu tava na casa deles e minha vó tinha ido pra igreja e eu tinha ficado em casa sozinho com o vô, daí eu estava na rua brincando com outras crianças e uma menina ficou me chamando de mariquinha (qual criança nunca chamou a outra de mariquinha?), daí meu vô ouviu e mandou eu mostra minha “dola” pra ela (sim, quando ele disse DOLA ele se referia ao meu piru). Bem assim na cara dura, eu olhei pra ele, olhei pra ela, pensei se deveria, e por fim mostrei, qual seria o maior problema? Qualquer coisa eu tenho certeza que meu vô me defenderia. Mostrei, ela deu um grito ficou roxa, e nunca mais ficou me chamando de mariquinha, meu vô era um homem muito sábio. Ele morreu em 2007, mas muita coisa boa aconteceu quando eu ainda era criança. Amanhã eu conto outra história que aconteceu comigo e com meu vô, na verdade ainda estou pensando se devo ou não, por que essa outra história pode me deixar em maus lençóis.

 

Infância

Não sei muito bem o que me aconteceu ontem, mas depois de ter baixado três episódios de gossip girl, baixei algumas musicas da dupla Sandy & Junior. Sei que pode parecer vergonhoso, e muitas pessoas podem até parar de ler o meu blog por isso… AKPOSKAPOKPOAKPAOKSP A questão é que baixei as musicas antigas, aquelas que eu ouvia quando tinha uns 06 e 07 anos. E ouvir essas musicas me fez pensar na minha infância. Tive um infância muito feliz, aproveitei ao máximo todas as etapas, brinquei, estudei e fiz muita bagunça. Lembro que na época das férias escolares nós (eu e meus amigos) chegávamos a ficar até as 03h brincando de esconde-esconde. Foi uma época feliz e inocente.

Sinto falta da inocência daquela época, de como tudo era resolvido com um abraço ou um chocolate, de como nossos pais nos defendiam das brigas na escola, de como nós nunca tínhamos preconceitos contra as outras pessoas, lembro que falávamos tudo que vinha em nossas mentes sem ter medo das concequências, lembro de como as amizades eram verdadeiras, lembro também de como alguns garotos odiavam as garotas (e hoje eles não conseguem viver sem elas). Tudo era mais fácil, não tínhamos responsabilidades.

Mas o tempo passou, as coisas mudaram, conhecemos o medo, temos medo do que ainda não conhecemos, temos responsabilidades, temos um mundo pra enfrentar, muitas vezes nos deixamos levar pelo preconceito, não somos mais tão inocentes assim (talvez não sejamos nenhum pouco inocentes), pensamos muito bem antes de falar qualquer coisa. Enfim deixamos um pouco a nossa liberdade e livre arbítrio de lado.

Os amigos que brincavam comigo durante horas, agora estão casados e já tem seus filhos, pode parecer errado, mas era assim que você se imaginava quando eramos crianças?? Eu tento viver da melhor maneira possível, eu cresci tenho maturidade, sou um homem formado, mas ainda carrego comigo um pouco da inocência e da coragem de quando era criança. Tento me lembrar todos os dias de como era minha vida naquela época, e tento deixar ela agora o mais parecido possível com a melhor época da minha vida.

Como diria a Sandy: “Sei que ainda sou criança, tenho muito que aprender. Mas quero ser criança quando eu crescer.”