Ontem eu estava pensando em coisas que aconteceram comigo, tava pensando um pouco na minha infância e nas coisas que eu perdi um pouco cedo de mais. Quando eu era bem criança meu avô morreu, o pai da minha mãe, eu nem me lembro quantos anos eu tinha, acho que deveria ser 5 ou 6, lembro que pra me consolar a Nairana  (que desde que eu consigo me lembrar sempre foi minha amiga/irmã) disse que meu vô estaria lá no céu cuidando do passarinho dela que tinha morrido alguns dias antes do meu vô, e realmente isso me fez ficar um pouco mais aliviado, saber que meu vô estaria cuidando do passarinho, me fez pensar que talvez ele também cuidasse de outras pessoas lá no céu, assim como cuidava dos seus netos aqui na terra.

 

Depois disso eu tinha somente um vô, o vô Dito. Eu amava muito meu vô, tenho certeza que ele foi o melhor vô do mundo. Quando eu ia dormir na casa do vô, no sábado nós acordávamos bem cedo pra ir na feira comer pastel (EU AMAVA), no sábado de tarde eu tinha que ir com minha vó no mercado por que ela não sabia ler então ficava difícil ver os preços das coisas, essa era minha função. Ela sempre comprava pra mim chips bem grandões, iogurte e suco, aqueles que viam num carrinho ou arma.

Adorava esses suquinhos.

Lembro que um dia eu tava na casa deles e minha vó tinha ido pra igreja e eu tinha ficado em casa sozinho com o vô, daí eu estava na rua brincando com outras crianças e uma menina ficou me chamando de mariquinha (qual criança nunca chamou a outra de mariquinha?), daí meu vô ouviu e mandou eu mostra minha “dola” pra ela (sim, quando ele disse DOLA ele se referia ao meu piru). Bem assim na cara dura, eu olhei pra ele, olhei pra ela, pensei se deveria, e por fim mostrei, qual seria o maior problema? Qualquer coisa eu tenho certeza que meu vô me defenderia. Mostrei, ela deu um grito ficou roxa, e nunca mais ficou me chamando de mariquinha, meu vô era um homem muito sábio. Ele morreu em 2007, mas muita coisa boa aconteceu quando eu ainda era criança. Amanhã eu conto outra história que aconteceu comigo e com meu vô, na verdade ainda estou pensando se devo ou não, por que essa outra história pode me deixar em maus lençóis.

 

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